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Guia · por idade

GUIA

Como apoiar crianças e adolescentes durante o tratamento oncológico

O impacto do diagnóstico e do tratamento varia conforme a idade. Veja como identificar reações comuns e as formas de conduzir em cada fase, com linguagem adequada ao que a criança consegue compreender.

Começar pela idade →
Ilustração em aquarela de um responsável abraçando uma criança.

Bebês (0 a 12 meses)

Reações comuns

  • Ficar irritado com procedimentos e chorar com facilidade.
  • Evitar contato com a equipe de saúde ou apegar-se excessivamente aos pais.
  • Atrasos temporários no desenvolvimento (demora para falar, sentar ou andar).
Ilustração em aquarela de uma mãe ajoelhada abraçando um bebê.

O que fazer

Toque e voz

Faça contato pele a pele frequente e converse ou cante para acalmar.

Ambiente seguro

Leve objetos de casa (mantas, brinquedos) com cheiros familiares.

Mantenha a rotina

Adapte horários de sono, alimentação e reserve um tempo para brincadeiras como ler livros, cantar e colocar o bebê de bruços, assim como você faria em casa.

Reduza o estresse

Quanto menos pessoas cercando a criança durante o procedimento, melhor.

Crianças de 1 a 3 anos

Reações comuns

  • Medo de procedimentos e de serem deixadas no hospital para sempre.
  • Ter medo e ficar ansioso com procedimentos médicos, desde medir a altura até algum exame laboratorial.
  • Regredir a comportamentos da infância.
Ilustração em aquarela de uma responsável lendo um livro para uma criança pequena.

O que fazer

Linguagem simples

A criança não entende a amplitude de termos médicos. Use palavras como “doente” ou “machucado” e aponte para o corpo, em vez de focar no termo “câncer”.

Preparação

Avise e explique como será o procedimento, para evitar medo de exames simples (como medir a pressão).

Pequenas escolhas

Dê autonomia básica (ex.: escolher em qual braço colocar o termômetro).

Brincadeiras

Dê a oportunidade para brincar com crianças da mesma idade. Use salas de brinquedoteca do hospital e mantenha momentos lúdicos diários. Ao entrar e ao sair, lavem as mãos; brinquedo não vai à boca.

Brincar pode trazer conforto e familiaridade a um lugar novo.

Eles precisam ter a certeza de que não os deixarão no hospital.

Crianças nessa idade podem temer que acabem morando no hospital. Sempre pontue que é apenas para o tratamento e não definitivo.

Se houver momentos em que você ficará longe por causa do trabalho, compromissos ou dos irmãos em casa, é importante que você diga quando voltará.

A noção de tempo ainda não está totalmente desenvolvida nessa idade: associe o tempo a algo que eles conheçam.

Explique que o tratamento tem o propósito de tentar eliminar o câncer ou mostrar aos médicos o que está acontecendo dentro do corpo.

Ilustração em aquarela de uma família sorrindo em um abraço.

Pré-escola (3 a 7 anos)

Reações comuns

  • Crença de que o câncer é um castigo por algo que pensaram ou fizeram.
  • Dificuldade com remédios orais e muitas perguntas sobre o hospital.
  • Regredir a comportamentos da infância.
  • Medo de que os pais os deixem no hospital.
  • Ter medo e ficar perturbado com procedimentos médicos.

O que fazer

Elimine a culpa

Deixe claro que a doença não é culpa deles.

Conceito de tempo

Diga quando você voltará usando marcos claros (ex.: “Volto depois do almoço”).

Brinquedo terapêutico

Peça ajuda à equipe médica ou de psicologia para usar bonecos e explicar exames antes que aconteçam.

Honestidade e distração

Seja sincero sobre desconfortos e use histórias ou músicas para desviar o foco da dor.

Ilustração em aquarela de um pai lendo um livro para uma criança no colo.

Crianças de 7 a 12 anos

Reações comuns

Ilustração em aquarela de um menino pensativo sentado em uma nuvem.

O que fazer

Informações claras

Explique detalhadamente o funcionamento dos remédios e tratamentos. Nesta idade a criança compreende bem o que é o câncer.

É mais provável que eles entendam que precisarão tomar medicamentos e se submeter a outros tratamentos.

Converse sobre fontes externas

Corrija boatos ou pesquisas que viram na internet e na escola.

Você pode corrigir qualquer informação incorreta e lembrá-lo de que existem muitos tipos diferentes de câncer e que a experiência de cada pessoa é única.

Medo da dor

Seja honesto com eles sobre a provável dor decorrente de alguns exames e tratamentos.

Preparação com antecedência

Avise sobre consultas e exames com alguns dias de antecedência para que façam perguntas.

Vínculo social

Facilite o contato com amigos da escola e com outras crianças em tratamento.

As crianças precisam de informações sobre o que acontece na escola e em outras atividades durante o tratamento.

Higiene e boca

Nesta idade a criança já entende o porquê, mas nem sempre quer escovar. O acompanhante insiste com calma: boca limpa e lábios hidratados aliviam a mucosite. Avise a dentista da equipe se aparecer ferida ou dor.

Psicologia da família

O humor de pais e da criança muda ao longo do tratamento. A psicologia atende os dois lados e ajuda a transformar medo em perguntas concretas para a equipe.

Adolescente (13+ anos)

Reações comuns

  • Sentimento de perda de privacidade, autonomia e planos para o futuro.
  • Vão querer saber quando poderão ir para casa nos intervalos ou quando o tratamento terminará.
  • Frustram-se quando os horários previstos mudam, especialmente se isso impede a participação em um evento que estavam ansiosos para viver.
  • Sentem como se nada de ruim pudesse acontecer com eles. Correm riscos que podem causar problemas ou se rebelar contra os pais, médicos e tratamentos.
  • Preocupação intensa com a imagem corporal (queda de cabelo, cicatrizes, peso).
  • Medo da morte.
  • Ter medo e ficar perturbado com procedimentos médicos.
  • Apresentam respostas emocionais intensas.
  • Têm capacidade de pensar sobre o futuro e como o câncer pode afetar seus planos.
  • Isolamento ou repressão de sentimentos para “proteger” os pais.
Ilustração em aquarela de dois adolescentes se abraçando.
Ilustração em aquarela de um adolescente de gorro sentado em uma poltrona, olhando o celular.

O que fazer

Presença

Esteja presente quando seu filho vier até você, mesmo que você não saiba o que dizer.

Explicações complexas

Os adolescentes entendem explicações complexas sobre o câncer e podem ter muitas perguntas detalhadas sobre o diagnóstico.

Fontes confiáveis

Indique fontes online confiáveis e incentive-os a fazer perguntas ao médico durante as consultas.

Individualidade

Lembre-os de que o câncer de cada pessoa é diferente e que isso não é resultado de nenhum comportamento de risco.

Privacidade e escuta

Dê espaço e ofereça apoio psicológico individualizado. Sem os pais na sala, se for a preferência deles.

Conexão com colegas

Estimule videochamadas, mensagens e redes sociais para manter contato com amigos e outros jovens em tratamento.

Validação

Não tente adivinhar o que sentem; ofereça uma postura de escuta sem julgamentos.

Anotar dúvidas

Incentive o adolescente a anotar dúvidas e medos. Ofereça-se para compartilhar essas anotações com a equipe de saúde se ele for tímido.

Referência

Conteúdo adaptado para leitura em tela a partir de orientações de comunicação por idade:

St. Jude Together: Talking to your child about cancer (informações por idade)

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